Em Paris, Mercado Capim Fashion celebra raízes paraibanas e consolida presença internacional em edição histórica

Uma edição histórica que levou a força da moda autoral e da economia criativa paraibana ao coração de Paris, celebrando 28 anos de inovação, ancestralidade e presença internacional do Mercado Capim Fashion.

O Mercado Capim Fashion escreveu um capítulo histórico entre os dias 21 e 23 de novembro ao realizar, pela primeira vez, uma edição internacional, e o palco escolhido não poderia ser mais simbólico: Paris, capital mundial da moda. Levando a força da moda autoral, da economia criativa e das expressões artísticas paraibanas, o evento ocupou os espaços L’Alimentation Générale e Digital Village, em uma realização conjunta entre a produtora Criativo e a Association La Terreirada, organização francesa dedicada à difusão da cultura brasileira. A edição francesa celebra também os 28 anos do MCF, completados nesta sexta-feira, 5 de dezembro, desde sua primeira realização em 1997.

Foto: divulgação.

Para a produtora Isa-Caires Sousa, a estreia internacional amplia horizontes e projeta a moda paraibana para novos mercados. Com curadoria de Romero Sousa, fundador do MCF, o festival apresentou ao público europeu uma programação diversa que integrou desfiles, feira criativa, dança, música ao vivo, cinema e performances, consolidando o evento no calendário cultural europeu.

Uma ousadia construída desde 1997

Criado há quase três décadas para valorizar o design local e fortalecer a moda autoral paraibana, o MCF alcança agora um de seus maiores feitos. Para Romero Sousa, chegar a Paris é resultado direto da persistência, do trabalho coletivo e da energia afetiva que sempre moveram o projeto.

“Levar o Mercado Capim Fashion para Paris foi bastante ousado, mas conseguimos cumprir tudo o que foi proposto. Trabalhamos com duas equipes, uma em João Pessoa e outra em Paris, e a tecnologia aproximou o que parecia distante. Sentir a presença do público, as trocas de energia e o reconhecimento do nosso trabalho mostra que podemos ir ainda mais longe”, afirmou Romero, que já recebeu convites para levar novas edições do festival para Portugal e Barcelona.

Ele destacou também o impacto da moda sustentável paraibana, que trabalha com algodão colorido, renda renascença, bordado labirinto, macramê, upcycling e referências diretas ao território. “É um ótimo momento para difundir ainda mais a moda autoral da Paraíba, que carrega cultura, memória e identidade.”

Tradição e inovação ocupam Paris

A abertura da edição internacional, realizada no L’Alimentation Générale, apresentou uma experiência sensorial conduzida pelo ator paraibano Fábio Campos, unindo música, dança e moda. O DJ Rick Mala, que esteve presente na primeira edição em 1997, celebrou a emoção de reviver as origens agora em outro continente.

“Estamos vivendo de novo o espírito de 1997. O MCF em Paris trouxe moda, acessórios, arte, música, dança e desfile, tudo o que fez o evento nascer. Sou muito grato pela recepção dos parisienses e da comunidade brasileira.”

Economia criativa, cinema e encontros culturais

A segunda noite, no Digital Village, ampliou a programação com desfile, feira de economia criativa, gastronomia brasileira e o Cine Club La Terreirada, que exibiu quatro curtas sobre cultura, identidade e território. Entre eles, estava o documentário “Rendeiros”, dirigido por Romero Sousa.

As marcas paraibanas se destacaram pela força do trabalho manual e pela estética contemporânea. Julieta Estevão, vice-presidente da Associação Aramê, de Araruna, relatou a emoção de representar a instituição na edição internacional. “Foi minha primeira experiência em um evento de moda internacional, uma aventura emocionante. Paris é um sonho para quem ama moda. Senti-me honrada, grata e cercada pela história e elegância da cidade.”

Participaram desta edição as marcas Morada, Viva Celina, Make U Better, Camila Demori Eco Design, Lu Toscano T-Shirt, Clotilde Seda Pura, Vestida de Arte, Aramê, Marlene Renda Renascença, Sta Lu, Réstia + Atelier Renascer, Jô do Osso, Valéria Antunes Acessórios e Papuiê Ateliê.

O público francês demonstrou surpresa e encantamento com a diversidade criativa da Paraíba. “Foi uma bela descoberta para quem não conhecia o Nordeste brasileiro. A cultura da Paraíba estava muito bem representada. As artesãs trazem o regionalismo com um lado contemporâneo que eu adoro”, comentou Sabine Alegria.

O dançarino Daniel Barros, responsável por performances de samba de gafieira e forró, também celebrou a troca cultural. “Foi incrível, uma energia surreal. Levar o Nordeste em todas as suas amplitudes, na música, na dança, na poesia, é voltar para casa com o coração cheio de orgulho.”

Moda autoral paraibana e Movimento Ballroom brilham nas passarelas

Os desfiles foram um dos pontos altos da edição, destacando não apenas a estética, mas também os valores de diversidade, representatividade e inovação que norteiam o MCF.

Movimento Ballroom em destaque

A Casa da Baixa Costura, primeira house de ballroom da Paraíba, apresentou a coleção cápsula “Pra Não Esquecer Do Que Somos Capaz”, assinada por Dorot Ruanne, travesti, artista multidisciplinar e pesquisadora têxtil. A passarela foi formada integralmente por pessoas trans, marcando de forma simbólica e política a presença dessa comunidade na capital da moda.

Desfile de Moda Autoral Paraibana

O desfile reuniu todas as marcas participantes e celebrou técnicas tradicionais como renda renascença, bordado labirinto, tingimento natural, macramê, upcycling e algodão colorido. A apresentação reforçou a força da moda artesanal e sustentável da Paraíba, que dialoga com inovação, responsabilidade ambiental e identidade territorial.

Os modelos, convidados pela Association La Terreirada e por Giovanna Magrini, figura de grande representatividade trans em Paris, ajudaram a construir um elenco diverso, afetivo e colaborativo.

No sábado, 22 de novembro, a equipe realizou ainda um editorial fotográfico nos principais cartões-postais de Paris, ampliando a visibilidade da moda paraibana no cenário internacional.

Um festival construído a muitas mãos

A edição internacional do Mercado Capim Fashion foi viabilizada pelo edital Arte na Bagagem 2025, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, com apoio da Association La Terreirada, da France Brésil Développement (AFBD), da Secretaria de Cultura da Paraíba, da Santa Luzia Redes e Decorações e dos espaços parceiros.

A atuação conjunta da produtora Criativo, com o planejamento do Moda Empreendedora na pessoa de Luziane Lima, consolidou a edição parisiense como um marco definitivo na história do MCF.

Um futuro em expansão para a moda paraibana

O impacto da edição internacional já ultrapassa os dias do festival. As conexões estabelecidas em Paris abriram portas para intercâmbios, futuras parcerias e oportunidades de circulação de criadores paraibanos na Europa. A visibilidade gerada também fortalece o posicionamento da Paraíba como polo de moda sustentável, autoral e culturalmente potente.

Para Romero Sousa, essa é apenas a primeira página de uma nova fase. A equipe já recebeu convites para levar o festival a Portugal e Barcelona, além de negociações para exposições fotográficas, residências criativas e colaborações entre artistas franceses e paraibanos.

O Mercado Capim Fashion volta ao Brasil como símbolo de resistência, inovação e afeto. A moda paraibana, que nasce da terra, das mãos artesãs e da ancestralidade, agora também desfila pelas ruas da capital mundial da moda — e segue pronta para conquistar novos territórios.