Natal na Usina celebra ancestralidade, diversidade e música autoral na última semana de programação

Festival encerra a 12ª edição com encontros inéditos, palcos simultâneos e uma curadoria que atravessa tradição, experimentação e acessibilidade na Usina Cultural Energisa.

A última semana do Natal na Usina 2025 transforma a Usina Cultural Energisa em um grande território de celebração da cultura paraibana, reunindo ancestralidade, inovação e encontros musicais inéditos. Considerado uma das principais vitrines das artes no estado, o festival chega ao encerramento de sua 12ª edição reafirmando o compromisso com a diversidade artística, a inclusão e o acesso democrático à cultura, com entrada solidária mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível.

Sexta-feira de celebração ancestral e palcos simultâneos

Na sexta-feira (26), a programação tem início às 20h, na Tenda da Música, com um encontro potente entre o mestre Escurinho, a Banda Labacé e a Mestra Ana do Coco do Ipiranga. O espetáculo une guitarras intensas, percussões marcadas e a força do coco quilombola, criando uma experiência que conecta corpo, memória, ritmo e resistência, do terreiro ao palco.

Para Escurinho, o show carrega um significado especial ao reunir, no mesmo palco, a banda que marcou o início de sua trajetória musical na Paraíba. O artista destaca ainda o clima nostálgico das últimas apresentações, que têm reunido diferentes gerações em torno de músicas que se tornaram referência em sua carreira, além de momentos dedicados à reverência ao coco de roda paraibano.

A partir das 22h, o Baile do Natal na Usina toma conta do espaço com palcos simultâneos. No Palco Paraíba Vinil, a DJ Jorja Moura, também conhecida como Morcegona, comanda a pista com sets que transitam entre disco, house clássico, rock e referências da cena underground de João Pessoa e Recife.

No Palco Bonde, o público mergulha em uma experiência afrofuturista com a Radiola Jamaicana, projeto liderado pelo Selecta Etnia, que mistura sound system, batidas digitais e mensagens de resistência, conectando ancestralidade e tecnologia.

Já na Sala Vladimir Carvalho, o Trio Baraúna encerra a noite com o balanço do forró pé de serra, homenageando nomes como Luiz Gonzaga, Marinês, Jackson do Pandeiro e Antônio Barros, além de apresentar composições autorais que consolidam o grupo como um dos mais premiados da nova geração.

Encerramento celebra encontros históricos e tradição popular

O sábado (27) marca o encerramento oficial do Natal na Usina com uma programação que valoriza a música autoral, a cultura popular e a experimentação artística. Às 19h, a Tenda da Música recebe a banda Papangu, que apresenta seu último show de 2025 com a participação especial de Paulo Ró, ícone da música experimental paraibana e fundador do movimento Jaguaribe Carne.

Após uma turnê internacional e passagens por grandes festivais, o Papangu retorna à Paraíba para celebrar um dos anos mais importantes de sua trajetória. Para o vocalista e tecladista Rodolfo Salgueiro, encerrar esse ciclo “em casa”, em um festival que valoriza a diversidade cultural e a acessibilidade, é motivo de honra. O artista destaca ainda a influência decisiva de Paulo Ró no perfil experimental do grupo, classificando o encontro como a realização artística máxima do Papangu em 2025.

A noite também abre espaço para a tradição do repente no Palco Bonde, às 21h, com a apresentação da Mestra Maria da Soledade, violeira e repentista de 82 anos, ao lado de Bibiu Cardoso. Juntos, eles entoam versos improvisados que celebram o nascimento de Jesus, o simbolismo do Menino Deus e mensagens de paz e esperança.

Encerrando a programação, às 22h, a Sala Vladimir Carvalho recebe a cantora e compositora Sandra Belê, que apresenta o espetáculo Sussuarana. Com 25 anos de carreira, a artista leva ao público um show potente e autoral, que estreou em São Paulo e agora chega à Paraíba como parte do Natal na Usina, reafirmando a força da música nordestina contemporânea.

Um Natal para todos

Ao longo de toda a edição, o Natal na Usina ampliou suas ações de inclusão e acessibilidade, com intérpretes de Libras em todas as apresentações, audiodescrição dos espaços e exposições, sala sensorial de relaxamento para pessoas com neurodiversidades e disponibilização de abafadores de ruído. A iniciativa reforça o compromisso do festival em construir um espaço cultural verdadeiramente acessível e plural.

O Natal na Usina 2025 é realizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com produção da Atua Comunicação Criativa, apoio cultural do Instituto Energisa, Brose, Sintur, Gráfica JB e Exiba, patrocínio do Grupo Energisa e realização do Ministério da Cultura e Governo Federal – Do Lado do Povo Brasileiro.

Programação – Última semana do Natal na Usina

Sexta-feira | 26 de dezembro

20h – Tenda da Música | Escurinho convida Mestra Ana do Coco

22h – Palco Paraíba Vinil | Jorja Moura aka Morcegona

22h – Palco Bonde | Radiola Jamaicana

22h – Sala Vladimir Carvalho | Trio Baraúna

Sábado | 27 de dezembro

16h30 – Palco Bonde | Contação de Histórias – Castelo de Histórias convida Nara Limeira

19h – Tenda da Música | Papangu convida Paulo Ró

21h – Palco Bonde | Mestra Maria da Soledade e Bibiu Cardoso – Cantoria de Violas

22h – Sala Vladimir Carvalho | Show de Sandra Belê