Entre divas, riscos e expectativas globais: os bastidores e o futuro do “Todo Mundo no Rio”

Responsável pelo “Todo Mundo no Rio”, Luiz Guilherme Niemeyer falou sobre os bastidores da produção e os próximos passos do evento em entrevista ao jornal O Globo, divulgada neste domingo (4).

Responsável por transformar a Praia de Copacabana em um dos maiores palcos a céu aberto do mundo, Luiz Guilherme Niemeyer vive um momento singular na história recente dos grandes eventos no Brasil. Sócio-diretor da Bonus Track, o produtor esteve por trás de dois acontecimentos que entraram para o imaginário coletivo: o show gratuito de Madonna, em 2024, e a apresentação de Lady Gaga, em maio de 2025, que reuniu mais de 2 milhões de pessoas na orla carioca.

Foto: divulgação.

Em entrevista ao O Globo, Niemeyer abriu o jogo sobre os bastidores do projeto “Todo Mundo no Rio” e confirmou que as negociações para a edição de 2026 já estão em andamento. Segundo ele, o anúncio do próximo artista deve acontecer no fim de fevereiro, seguindo o mesmo cronograma adotado nos anos anteriores. “A gente está trabalhando num nome legal, as negociações estão andando. A gente está em dia com o nosso planejamento”, afirmou.

Ao relembrar o impacto do show de Lady Gaga, o produtor descreveu a experiência como um verdadeiro ponto de virada em sua carreira. Para Niemeyer, a dimensão do evento exigiu um nível de preparo que ultrapassa qualquer manual. “Foi um PhD de produção, em vários aspectos”, disse. Ele admite que encarar a grandiosidade do projeto de forma racional poderia até paralisar a equipe. “Se a gente parasse para pensar a dimensão do que estava fazendo, podia dar uma vertigem.”

Mais do que um sucesso nacional, o evento alcançou uma repercussão internacional inesperada. Niemeyer conta que só percebeu a real proporção do impacto durante uma viagem à Europa, quando sua nacionalidade passou a ser imediatamente associada ao espetáculo em Copacabana. “Quando eu falava que era brasileiro, a resposta vinha: ‘Ah, e a Lady Gaga?’”, relembrou. Para ele, foi a confirmação de que o “Todo Mundo no Rio” extrapolou a bolha da mídia brasileira e se consolidou como um acontecimento global.

Com duas edições históricas no currículo, o desafio agora é sustentar um nível de expectativa cada vez mais alto. Niemeyer reconhece que o público passou a associar o projeto às grandes divas do pop, mas pondera que os pedidos são diversos. “Como a gente fez Madonna e Lady Gaga, que são duas divas pop, acaba que o público pede muito isso. Mas tem gente que pede rock, k-pop, pedem de tudo”, explicou.

A pergunta que fica no ar é sobre os próximos rumos do evento. Depois da consagração do que muitos já chamam de “DivaCabana”, será que Copacabana pode se transformar em um “RockCabana”, um “K-PopCabana” ou até algo completamente inesperado? O certo é que o “Todo Mundo no Rio” já deixou de ser apenas um show para se tornar um símbolo da força cultural, turística e midiática do Brasil no cenário global.