O cinema brasileiro vive um dos seus momentos mais simbólicos no cenário internacional. Não apenas pelos prêmios conquistados, mas pela maturidade narrativa de obras que compreendem que revisitar o passado é também um gesto político, estético e profundamente humano. Em tempos de disputas de memória, nossos filmes têm atravessado fronteiras justamente por se recusarem ao esquecimento.
Produções como “Ainda Estou Aqui”, protagonizada por Fernanda Torres, e “O Agente Secreto”, estrelado por Wagner Moura e dirigido por Kleber Mendonça Filho, reafirmam a força de um cinema que investiga feridas históricas, silêncios coletivos e identidades em construção. São filmes que não apenas contam histórias brasileiras, mas dialogam com o mundo a partir de experiências universais como resistência, perda, afeto e justiça.
A consagração de “O Agente Secreto” no Globo de Ouro, vencendo nas categorias de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator, marca um feito inédito. É a primeira vez que o Brasil conquista dois prêmios em uma mesma edição da premiação. O reconhecimento internacional foi imediato. O Washington Post destacou que Wagner Moura “não para de quebrar recordes” e relembrou sua trajetória histórica, do pioneirismo como ator brasileiro indicado ao Globo de Ouro à consagração em Cannes e no Círculo de Críticos de Cinema de Nova York.
Mais do que prêmios, há discursos que ecoam. Ao dedicar a vitória aos jovens cineastas, Kleber Mendonça Filho sinalizou que este é um momento crucial para o cinema internacional, em que narrativas autorais e olhares periféricos ganham centralidade. No Reino Unido, o The Guardian reforçou o simbolismo desse ciclo ao lembrar que, um ano após Fernanda Torres se tornar a primeira brasileira a vencer um Globo de Ouro, Wagner Moura se tornou o segundo artista do país a conquistar a estatueta. Já na França, o Le Figaro destacou que o cinema brasileiro alcançou uma vitória dupla histórica, consolidando o Brasil como uma das forças do cinema autoral contemporâneo.
Em gesto de elegância e consciência coletiva, Fernanda Torres usou suas redes sociais para parabenizar Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho, reafirmando algo que o cinema brasileiro tem demonstrado ao mundo. Não se trata de conquistas isoladas, mas de um movimento. Um cinema que entende que contar o próprio passado é uma forma de disputar o presente e, sobretudo, de imaginar futuros possíveis.
O Brasil, hoje, não apenas participa do cinema mundial. Ele propõe, provoca e permanece.







