Bad Bunny transforma o Super Bowl em manifesto de união e identidade cultural

Apresentação histórica do artista porto-riquenho uniu moda, política, afeto e música em um espetáculo que atravessou fronteiras e reforçou sua força como ícone global

O cantor Bad Bunny, 31, protagonizou um dos momentos mais marcantes da história do show de intervalo do Super Bowl, no último domingo (8). Mais do que uma performance musical, o artista porto-riquenho entregou um espetáculo carregado de simbolismo, identidade e mensagem social, reafirmando seu status de ícone global capaz de unir a América por meio da arte.

Em um palco acompanhado por milhões de espectadores ao redor do mundo, Bad Bunny fez escolhas que dialogaram diretamente com pertencimento e acessibilidade. Apesar das apostas do mercado da moda entre grifes de luxo como Jacquemus, da qual foi rosto em 2022, e Calvin Klein, que o escalou em 2025, o artista optou por um caminho menos previsível. Ele surgiu com um visual monocromático e minimalista em tom creme, assinado pela fast fashion Zara, feito sob medida para a ocasião.

A decisão entrou para a história. Foi a primeira vez que a gigante espanhola vestiu um artista dessa magnitude em um dos palcos mais importantes do entretenimento global, indo além dos figurinos de apoio tradicionalmente destinados a bandas e dançarinos. Em comunicado oficial, a marca celebrou o momento afirmando que Benito fez uma apresentação memorável e que o figurino foi fantástico.

Sob o styling de seus colaboradores de longa data, Storm Pablo e Marvin Douglas Linares, o look mesclava o rigor da alfaiataria com a descontração esportiva. O conjunto incluía camisa de colarinho, gravata e uma sobreposição esportiva personalizada, reforçando a dualidade entre tradição e contemporaneidade, uma marca constante na estética do artista.

Os detalhes do figurino revelaram camadas ainda mais profundas de significado. O número 64, inicialmente interpretado por fãs como uma homenagem ao ano de nascimento de sua mãe, carrega também um peso histórico. O ano de 1964 marca um momento decisivo na constituição política e social de Porto Rico. Já o nome Ocasio, bordado nas costas, faz referência ao sobrenome materno de Benito Antonio Martínez Ocasio, trazendo para o centro do espetáculo um gesto de afeto, memória e identidade familiar.

Musicalmente, Bad Bunny ampliou ainda mais o alcance simbólico da apresentação ao dividir o palco com Lady Gaga. O encontro foi celebrado como um ato de união e reforçou a mensagem central da noite. A música aparece como linguagem universal capaz de conectar culturas, territórios e histórias distintas. O momento foi recebido pelo público como um gesto de amor e respeito, ecoando a proposta de um espetáculo que falou sobre coletividade em tempos de fragmentação.

Ao transformar o show de intervalo do Super Bowl em um manifesto cultural, Bad Bunny mostrou que sua arte vai além dos hits e das tendências. Ele ocupou o maior palco da televisão americana para reafirmar suas raízes, valorizar sua história e espalhar uma mensagem clara de união, amor e pertencimento, consolidando de vez seu nome entre os grandes artistas que usam a cultura como ferramenta de transformação.