Janti transforma despedida em arte e emociona o Brasil com o single “Adeus”

Entre raízes assírias, afetos transnacionais e uma escrita guiada pela honestidade emocional, o cantor e compositor europeu entrega uma canção delicada e profunda como gesto de gratidão ao público brasileiro

Há artistas que escrevem canções. Outros, mais raros, constroem pontes emocionais capazes de atravessar idiomas, territórios e silêncios. Janti pertence a esse segundo grupo. Com o lançamento de “Adeus”, o cantor e compositor reafirma sua vocação para transformar experiências íntimas em narrativas universais, oferecendo ao público brasileiro não apenas um novo single, mas um gesto sincero de afeto, reconhecimento e gratidão.

Nascido de uma trajetória marcada pelo deslocamento e pela sensibilidade, Janti carrega em sua música as camadas de sua herança assíria, atravessada por histórias de exílio, resistência e memória. Vivendo entre Bruxelas e a Suíça, o artista desenvolveu uma escrita profundamente atenta ao que não é dito, aos sentimentos suspensos e às despedidas inevitáveis. É justamente nesse território emocional que “Adeus” se instala com delicadeza e força.

A canção surge a partir de um encontro breve, mas transformador, vivido no verão de 2025, quando Janti se envolveu com um brasileiro que passava uma curta temporada na Europa. A consciência antecipada da despedida moldou o tom da música, que não se entrega ao drama excessivo, mas prefere a contemplação, a melancolia serena e a beleza contida do amor que sabe que precisa partir. Ao mesmo tempo, “Adeus” se amplia para além do autobiográfico e se torna uma homenagem direta ao Brasil, país que vem acolhendo o artista de forma crescente e afetuosa.

 

O vínculo de Janti com o público brasileiro nasceu de forma orgânica, impulsionado pela honestidade emocional que atravessa sua obra. Em um país onde sentir é também um ato cultural, sua música encontrou escuta atenta, identificação e entrega. A decisão de incluir um trecho em português no single reforça esse diálogo sensível e respeitoso com a cultura brasileira, celebrando sua luz, sua resiliência e sua capacidade de amar mesmo em meio às adversidades.

Musicalmente, “Adeus” confirma a maturidade artística de Janti. Sua voz conduz a canção como quem confidencia, criando uma atmosfera íntima que convida o ouvinte a reconhecer suas próprias despedidas, seus afetos interrompidos e suas memórias inacabadas. É uma música que não busca respostas fáceis, mas oferece companhia, acolhimento e verdade.

O single também antecipa um momento decisivo na carreira do artista. Ainda em 2026, Janti lançará seu primeiro EP, “Confessions”, um projeto conceitual e profundamente pessoal, que abordará temas como identidade, vulnerabilidade emocional e processos de transformação. Produzido em colaboração com um produtor suíço-brasileiro, o trabalho reforça o caráter transnacional de sua obra e amplia, de forma consistente, a ponte artística entre a Europa e o Brasil.

Com “Adeus”, Janti não apenas se despede de uma história específica, mas reafirma sua presença no imaginário afetivo de um público que o acolheu como espelho e voz. Sua música segue como um espaço de encontro, onde a emoção não conhece fronteiras e onde cada canção é, antes de tudo, um convite para sentir.

Entrevista | Janti

1. Sua música é frequentemente descrita como emocional e profundamente honesta. Como suas raízes assírias e sua vida entre Bruxelas e a Suíça moldam a forma como você escreve e sente a música?

Minhas raízes assírias estão no centro de quem eu sou. Elas carregam uma história profunda de exílio, resiliência, saudade e sobrevivência, e essas emoções fluem naturalmente para a minha música. Crescer em Bruxelas e hoje viver na Suíça acrescentou ainda mais camadas: culturas diferentes, idiomas diversos e paisagens emocionais múltiplas. Viver entre lugares me ensinou a ser muito atento aos sentimentos, à nostalgia e, principalmente, ao que não é dito. Tudo isso molda profundamente a maneira como escrevo e vivencio a música.

2. “Adeus” soa especialmente íntima e simbólica. O que inspirou essa canção e por que você decidiu dedicá-la como um tributo e celebração aos fãs brasileiros?

“Adeus” é uma música muito especial para mim. Eu a escrevi no verão de 2025, depois de conhecer um brasileiro que estava na Suíça por apenas três meses. Começamos um relacionamento já sabendo que teríamos que nos despedir, porque ele precisaria voltar ao Brasil. Naquele momento, ele foi uma luz de esperança na minha vida, exatamente quando eu mais precisava. Eu sabia que a despedida seria dolorosa e quis eternizar esse momento. Ao mesmo tempo, minha conexão com os fãs brasileiros vinha crescendo muito com meus últimos lançamentos. Minha música passou a ser ouvida cada vez mais no Brasil, e esse encontro deu um significado ainda mais profundo a tudo. Escrever “Adeus” foi natural e inevitável, tornou-se uma despedida pessoal e, ao mesmo tempo, um tributo ao Brasil e ao seu povo.

3. O Brasil parece ocupar um lugar muito especial no seu coração. Como essa conexão com o público brasileiro começou e o que você acredita que cria um vínculo emocional tão forte entre você e esses ouvintes?

Essa conexão aconteceu de forma muito orgânica. O público brasileiro descobriu minha música e a acolheu com uma sinceridade e uma emoção incríveis. Acredito que o que cria esse vínculo tão forte é a honestidade emocional. Os brasileiros não têm medo de sentir profundamente, seja alegria, tristeza, saudade ou amor. Minha música fala exatamente essa mesma linguagem emocional, mesmo além das palavras. Além disso, estou cercado pela cultura brasileira no meu dia a dia. A comunidade brasileira na Suíça é grande, muitos dos meus amigos são brasileiros, e atualmente trabalho com um produtor suíço-brasileiro no meu próximo projeto. Tudo isso torna essa conexão muito real e viva.

4. Durante a criação de “Adeus”, quais emoções ou memórias mais guiaram o processo de composição?

Enquanto escrevia “Adeus”, eu imaginava constantemente o momento da despedida. Ele teve um impacto real em mim e despertou emoções que eu achava que nunca mais sentiria. Houve uma conexão profunda da minha parte, e ter que deixá-lo partir sem saber quando ou onde nos veríamos novamente se tornou o motor emocional da canção.

5. Suas músicas frequentemente soam como conversas com o ouvinte. O que você espera que os fãs brasileiros sintam ou reconheçam em si mesmos ao ouvir “Adeus”?

Escolhi incluir um verso em português em “Adeus” como uma homenagem à língua e à cultura brasileira. Eu admiro profundamente a cultura do Brasil, tão radiante e cheia de vida, mesmo diante das dificuldades que muitas pessoas enfrentam diariamente. Ainda assim, as pessoas sorriem, amam, e isso é incrivelmente inspirador para mim. Espero que os ouvintes brasileiros se sintam tocados por esse gesto, por essa homenagem. “Adeus” é um tributo ao amor, às despedidas difíceis e à beleza que pode existir mesmo nos momentos de separação.

6. Você está em constante evolução como artista. De que forma esse novo lançamento representa um novo capítulo para você, musical e pessoalmente?

Com esse lançamento, espero alcançar um público mais internacional e tocar ainda mais pessoas com minha arte e minha voz. Minha mensagem é simples: a música é, antes de tudo, emoção, e independentemente do idioma, a emoção permanece a mesma. Musicalmente, quero que meu som cresça e amadureça. Pessoalmente, desejo que minha mensagem seja ouvida de forma honesta, livre e sem fronteiras.

7. Existem projetos, colaborações ou novidades que você já pode compartilhar após o lançamento de “Adeus”?

Este ano é muito importante para a minha carreira. No final do ano, lançarei meu primeiro EP, um miniálbum com cinco ou seis faixas chamado “Confessions”. Será um projeto extremamente pessoal, abordando temas como o processo de se assumir, términos e vulnerabilidade emocional. Ele foi pensado para ser ouvido do início ao fim, com cada música fluindo naturalmente para a próxima. Trabalhei nesse projeto com um produtor suíço-brasileiro, o que fortalece ainda mais a ponte entre o meu mundo e o Brasil.

8. E a pergunta que todos os fãs brasileiros querem saber: você pretende vir ao Brasil em breve? Como imagina sua primeira ou próxima experiência ao vivo com o público brasileiro?

Eu adoraria vir ao Brasil e finalmente encontrar meu público pessoalmente. Infelizmente, nenhuma turnê está planejada para este ano. A indústria musical é complexa e, como artista independente, fazer turnês internacionais exige muito apoio. Espero sinceramente que uma gravadora ou selo acredite nesse projeto e ajude a tornar isso possível. Ainda assim, ao olhar para meus números de streaming e a localização do meu público, o Brasil é, sem dúvida, um dos países onde irei me apresentar ao vivo no futuro. Tenho muitos ouvintes aí, e sei que quando esse momento chegar, será algo muito poderoso e inesquecível.