Onde a memória dança: Myra Maya transforma saudade em canto no coração de João Pessoa

Entre acordes e lembranças, “Forró de Painho” ocupa o Centro Histórico e transforma saudade em celebração coletiva da memória e da cultura paraibana.

Há encontros que não acontecem apenas no tempo, mas na delicadeza da lembrança. No dia 7 de março de 2026, o Centro Histórico de João Pessoa será atravessado por um desses momentos raros, quando a música se torna ponte entre o que foi e o que permanece.

É nesse cenário de pedras antigas, fachadas que guardam séculos e passos que ecoam histórias, que nasce “Histórias e Canções”, projeto audiovisual idealizado pela OWLS Filmes. A proposta ocupa o espaço público com afeto, transforma memória em espetáculo e faz da escuta um ato coletivo de cuidado.

A estreia será conduzida por Myra Maya, que apresenta “Forró de Painho”, um mergulho sensível em suas raízes. O show é uma homenagem ao pai, Francisco Feliciano da Silva, e carrega a força das despedidas que não encerram, apenas se transformam. No palco montado em frente ao Museu de História da Paraíba, na simbólica Praça dos Três Poderes, a artista costura ritmos nordestinos com lembranças íntimas, criando uma travessia emocional que abraça o público.

“O Forró de Painho nasceu da despedida do meu pai. Cantei para ele todos os dias e, depois que ele partiu, transformar essa dor em música foi o que me manteve viva”, revela Myra.

A apresentação não é apenas um show. É rito, é celebração, é permanência. Entre acordes e palavras, a artista revisita as cidades que moldaram sua identidade, reafirmando a cultura como herança viva que pulsa nas ruas e nas vozes.

Pensado como uma série com quatro edições ao longo do ano, “Histórias e Canções” propõe encontros intimistas com artistas paraibanos, unindo performance musical e relatos sobre pertencimento. O projeto também fortalece a ocupação cultural do Centro Histórico e valoriza a economia criativa local, registrando cada edição em formato audiovisual para ampliar seu alcance e preservar a música paraibana contemporânea.

Sobre a nova data, ajustada por conta das previsões climáticas, Myra explica que o cuidado com a experiência é essencial. “Criamos um cenário muito afetivo e queremos entregar a experiência completa. No repertório, canções que certamente vão emocionar. Arrisco dizer que levem lenços.”

E talvez seja isso. Levar lenços. Porque há noites em que a música não apenas se ouve. Ela atravessa. Ela dança com a saudade. Ela transforma ausência em presença.

No dia 7 de março, às 19h, João Pessoa será palco de um encontro onde a memória ganha voz, e o amor encontra forma no forró.