MPT na Paraíba entrega Troféu “Mulheres que Inspiram” e promove diálogo sobre violência de gênero e feminicídio

Homenagem reconhece trajetórias femininas que transformam realidades e reafirma o compromisso coletivo na defesa da vida, da dignidade e dos direitos das mulheres.

O Ministério Público do Trabalho na Paraíba realizou, nesta quarta-feira (11), a entrega do Troféu “Mulheres que Inspiram”, uma iniciativa que celebra trajetórias femininas marcadas pelo compromisso com a justiça social, a defesa de direitos e o enfrentamento às múltiplas formas de violência contra as mulheres. A cerimônia ocorreu no auditório da sede do órgão, no Centro de João Pessoa, reunindo autoridades, representantes de instituições públicas, estudantes, entidades parceiras e familiares das homenageadas.

Neste ano, foram reconhecidas a jornalista e apresentadora Ana Beatriz Rocha, a presidenta da Associação de Travestis e Transexuais da Paraíba (ASTRAPA/ASPTTRANS), Andreina Gama, e a comandante estadual da Patrulha Maria da Penha, major Gabriela Jácome. A paraibana Juliette também integra a lista de homenageadas de 2026, mas receberá o troféu em outro momento devido a compromissos de agenda.

Apesar de trajetórias distintas, as quatro mulheres têm em comum a atuação firme em prol da promoção de direitos e da construção de uma sociedade mais justa, especialmente no combate à violência de gênero e ao feminicídio.

Durante a abertura do evento, a procuradora-chefe do MPT-PB, Dannielle Lucena, destacou dados alarmantes sobre a violência contra as mulheres no país e ressaltou a urgência de mobilização coletiva diante dessa realidade.

Segundo ela, a cada minuto ao menos uma mulher sofre ameaça no Brasil, enquanto dezenas enfrentam diariamente formas de violência psicológica que impactam diretamente sua dignidade, saúde e permanência no mercado de trabalho. A procuradora também lembrou que o feminicídio continua sendo uma tragédia recorrente no país.

Em sua fala, Dannielle Lucena ressaltou que o encontro representa simultaneamente um momento de reconhecimento e de conscientização social.

“A cada mulher silenciada, perdemos uma voz que poderia inspirar, transformar e construir novos caminhos. É fundamental que instituições, empresas e toda a sociedade se mobilizem para garantir que todas as mulheres possam viver e trabalhar com dignidade e segurança”, afirmou.

Diálogo, memória e compromisso social

Antes da entrega das homenagens, o público acompanhou uma roda de conversa com as convidadas, mediada pela advogada e ouvidora da Mulher da OAB na Paraíba, Renatta Quintans. O encontro abriu espaço para reflexões sobre os desafios enfrentados pelas mulheres em diferentes contextos sociais e profissionais, reforçando a importância da atuação conjunta entre poder público, sociedade civil e movimentos sociais.

Ao final do debate, foi exibido um vídeo gravado especialmente por Juliette, que enviou uma mensagem de agradecimento e reforçou a importância da união de esforços na luta pela proteção das mulheres.

O evento também prestou homenagem ao Centro da Mulher 8 de Março, organização não governamental com mais de três décadas de atuação em João Pessoa, reconhecida pelo trabalho contínuo na defesa dos direitos das mulheres, crianças e adolescentes, além do combate à violência doméstica e sexual. A coordenadora-geral da instituição, Irene Marinheiro, recebeu um certificado de reconhecimento e o boton comemorativo “MPT-PB 40 anos: Promovendo Direitos e Justiça Social”.

Números que exigem atenção

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública reforçam a gravidade do cenário nacional. Em 2025, o Brasil registrou 747.683 ocorrências de ameaça contra mulheres, além de 51.866 casos de violência psicológica e 1.492 feminicídios.

O levantamento também revela que 63,6% das vítimas de feminicídio eram mulheres negras e que a maior parte tinha entre 18 e 44 anos. Em oito de cada dez casos, o crime foi cometido por companheiros ou ex-companheiros.

Na Paraíba, 36 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, um dado que evidencia a urgência de políticas públicas efetivas e da mobilização contínua da sociedade para enfrentar a violência de gênero.

Nesse contexto, iniciativas como o Troféu “Mulheres que Inspiram” assumem um papel simbólico e político fundamental: reconhecer quem luta diariamente por mudanças estruturais e reafirmar que a defesa da vida e da dignidade das mulheres é uma responsabilidade coletiva.