A banda Wil Cor & Eletrocores lança o álbum “Ninguém Vai Se Salvar”

Manifesto afroindígena urbano, o novo álbum da banda paraibana funde groove-rock, ancestralidade e crítica social em uma experiência sonora potente e contemporânea

Em um tempo marcado por tensões sociais, disputas de narrativa e urgências identitárias, a banda paraibana Wil Cor & Eletrocores apresenta ao público seu mais novo trabalho, Ninguém Vai Se Salvar. Mais do que um álbum, o projeto se afirma como um manifesto afroindígena urbano, um grito estético e político que atravessa a experiência de povos que resistem em meio a uma sociedade ainda atravessada por dinâmicas coloniais persistentes.

Com uma sonoridade que destila o mais puro sumo do groove-rock, a banda constrói uma atmosfera densa e pulsante, onde riffs vigorosos dialogam com a ancestralidade rítmica afro-nordestina. O resultado é uma fusão potente que reverbera influências do rock brasileiro setentista, ao mesmo tempo em que se ancora em matrizes culturais profundamente enraizadas.

O repertório do álbum revela uma pluralidade de caminhos sonoros e discursivos. Instiga fusion inaugura a jornada com um ritmo tribal hipnótico, evocando dimensões espirituais e tecnológicas como ferramentas de enfrentamento às energias negativas. Em Chama pra cantar, o groove se desdobra em um rock funkeado que flerta com a cadência de Jorge Ben Jor, citado no refrão como símbolo de resistência e celebração da vida.

A releitura de Beradêro, clássico de Chico César, surge como um dos momentos mais emblemáticos do trabalho, ressignificada em uma versão eletrizante que reafirma a força da cultura brasileira. Já Rio Tinto mergulha em uma estética visceral, com influências de afrobeat, para narrar a resposta indígena diante das invasões às terras potiguaras, estabelecendo um elo direto entre arte e território.

A faixa-título, Ninguém Vai Se Salvar, sintetiza o espírito do álbum ao unir guitarras marcantes e um refrão com nuances soul, evocando o amor à terra como gesto de resistência frente às opressões históricas. Em Bem fundo, a banda explora camadas sonoras mais densas para traduzir conflitos internos e pressões sociais, enquanto Todo mundo quer funk brinca com a fluidez da brasilidade ao incorporar elementos do funk em um riff contagiante. Encerrando o percurso, Eu acho é pouco traz um baixo com influência pós-punk que desemboca em um rock dançante, afirmando uma postura vibrante diante da vida.

O projeto ganha ainda mais força em seu formato audiovisual, gravado ao vivo no estúdio do selo DoSol, referência na cena independente nacional e responsável por lançamentos de nomes como Zefirina Bomba, Ferve, Felipe Cordeiro, Zepelim e Sopro Cão. A captação conta com a engenharia de áudio de Yves Fernandes e direção geral de Anderson Foca e Ana Morena, consolidando uma produção que alia consistência técnica e potência artística.

O lançamento chega às principais plataformas de streaming pelo selo DoSol, com exibição também no canal DoSol TV e no programa da Music Box Brasil, ampliando o alcance de uma obra que dialoga com diferentes territórios e públicos.

Natural de João Pessoa, a Wil Cor & Eletrocores vem construindo uma trajetória sólida na cena musical paraibana e nacional. A banda já marcou presença em eventos como Palco Tabajara, Natal da Usina Energisa, Festival Alumiô, Música Preta Salva e Rock na Usina, além de circular por cidades do interior por meio da parceria com o BNB Cultural. O grupo também participou de festivais relevantes como o DoSol, em Natal, e o Bem Brasil, em São Paulo.

Formada por Dodô Trindade no baixo e vocais, Erick Henrique na bateria, Samir Cesaretti na guitarra e vocais, e Wil Cor nos vocais, a banda reafirma, com Ninguém Vai Se Salvar, sua identidade artística e seu compromisso com uma música que não apenas se escuta, mas se sente, se pensa e se atravessa.

O novo trabalho sucede os lançamentos Estilhado (EP, 2023) e Valei-me nossa senhora Cátia de França e meu guerreiro Chico César (EP e vinil, 2024), consolidando um percurso criativo que se expande sem abrir mão de suas raízes.