IORDZ defende reconhecimento da Cultura House como patrimônio e celebra trajetória em evento em João Pessoa

Artista destaca avanços no reconhecimento das culturas urbanas, relembra mais de duas décadas de atuação na cena House e promove o projeto “This Is Our House” nesta sexta-feira (7), no Centrô.

Os recentes reconhecimentos institucionais concedidos às culturas urbanas têm fortalecido o debate sobre memória, identidade e preservação cultural no Brasil. Para o artista, pesquisador e DJ IORDZ, essas iniciativas representam um passo importante para ampliar o reconhecimento de manifestações que há décadas transformam territórios, formam comunidades e produzem conhecimento.

Segundo ele, exemplos recentes reforçam essa mudança de perspectiva. “Nos últimos anos, a gente tem acompanhado avanços importantes nesse campo. A Paraíba reconheceu o Hip Hop como patrimônio cultural imaterial através da Lei Estadual nº 12.579/2023. Em São Paulo, a Lei nº 18.400/2026 reconheceu a música eletrônica como patrimônio cultural imaterial do estado. Esses movimentos mostram que as culturas urbanas estão começando a ocupar o lugar que sempre mereceram nos debates sobre memória, identidade e patrimônio cultural”, afirma.

IORDZ destaca que a Cultura House reúne características semelhantes às de outras manifestações já reconhecidas pelo poder público. “A House preserva histórias, transmite saberes, forma comunidades, produz pertencimento e cria formas próprias de ocupação dos territórios urbanos. Quando estudamos suas origens, percebemos que estamos falando de uma manifestação cultural com mais de quarenta anos de história, construída por gerações de DJs, dançarinos, produtores, pesquisadores e frequentadores de pista. Isso também é patrimônio”, ressalta.

Muito antes dessa discussão ganhar força, o artista já desenvolvia iniciativas voltadas à valorização da Cultura House. Em 2016, fundou a House Dance PB, coletivo dedicado à formação, prática, intercâmbio e difusão da dança House na Paraíba. A iniciativa passou a promover treinos abertos, oficinas, encontros periódicos e intercâmbios com artistas de diferentes estados, contribuindo para fortalecer uma rede formada por DJs, dançarinos, pesquisadores e frequentadores da cena local. O trabalho também abriu caminho para a criação do Festival Cultura House, ampliando a circulação de artistas e o debate sobre música, dança, história e memória cultural.

Nos últimos anos, IORDZ ampliou sua atuação para o ambiente digital com foco na preservação da memória da Cultura House. Em 2026, lançou a série audiovisual “This Is Our House”, que reúne conteúdos educativos sobre o surgimento da House Music em Chicago, o desenvolvimento do House Dance, sua expansão internacional, a chegada ao Brasil, o fenômeno do Flash House e a formação das primeiras gerações de DJs responsáveis por consolidar a cultura de pista no país. O projeto busca organizar informações que, muitas vezes, permanecem dispersas em coleções particulares, fotografias, fitas cassete, flyers, registros audiovisuais e relatos de quem vivenciou essa história.

A trajetória de IORDZ também dialoga com outras linguagens artísticas. Em 2026, idealizou o projeto “Pulsa: Um Experimento Sensorial”, realizado em João Pessoa, reunindo música, leitura dramática, artes visuais, dança, performance e experiências participativas. Na iniciativa, assinou a direção criativa, a sonoplastia, a discotecagem e o desenvolvimento visual, reforçando o potencial da cultura de pista como linguagem artística multidisciplinar.

Nesta sexta-feira, 7 de agosto, o público poderá acompanhar mais um capítulo dessa trajetória durante o evento “This Is Our House”, que será realizado no Centrô, em João Pessoa. Mais do que uma celebração da Cultura House, a iniciativa propõe um exercício de preservação da memória, valorizando uma manifestação cultural construída coletivamente ao longo de mais de quatro décadas e reafirmando o compromisso de manter vivas as histórias que moldaram a cena eletrônica brasileira.