Há três décadas, a Revista RAÇA Brasil ocupa um espaço pioneiro na imprensa brasileira ao colocar a população negra no centro de sua cobertura. Criada em 1996, a publicação surgiu em um mercado editorial marcado pela baixa presença de pessoas negras em capas, reportagens e espaços de protagonismo, e passou a abordar temas como identidade, beleza, cultura, comportamento, carreira e representatividade.
Ao longo de 30 anos, a RAÇA consolidou sua trajetória como uma das principais publicações voltadas à valorização da população negra no país. Ainda publicada em versão impressa e com periodicidade mensal, a revista acompanhou mudanças sociais e culturais e também ajudou a ampliar a presença de pessoas negras em setores como televisão, cinema, teatro, publicidade, moda e mercado de trabalho.
Quando a primeira edição chegou às bancas, a presença de pessoas negras nas capas das grandes revistas brasileiras ainda era rara. Pelé e alguns poucos nomes ligados ao esporte e à cultura apareciam como exceções em um mercado editorial que reproduzia os efeitos do racismo estrutural.
“Existia uma máxima no mercado publicitário de que negro na capa de revista não vendia. A RAÇA nasceu justamente para desafiar essa lógica”, lembra Maurício Pestana, CEO do Grupo RAÇA Brasil.
A resposta veio das bancas. A primeira edição alcançou a marca de 270 mil exemplares vendidos, um resultado histórico para uma publicação em seu número de estreia. Naquele momento, surgia muito mais do que uma revista. Nascia um movimento de representação que ajudaria a transformar a maneira como milhões de brasileiros enxergavam a própria imagem.
Ao longo dos anos, a RAÇA também se tornou objeto de pesquisas acadêmicas no Brasil e no exterior. Estudos passaram a analisar o papel da publicação nas mudanças de comportamento e na construção de novas representações da população negra em diferentes setores da sociedade.
Segundo Pestana, há um ponto em comum entre essas pesquisas. “A RAÇA impactou e mudou definitivamente a forma como o cinema, a televisão, a publicidade, o teatro e a cultura brasileira passaram a retratar as pessoas negras”, afirma.
Uma noite para celebrar três décadas
Para marcar os 30 anos de história, o Grupo RAÇA Brasil prepara uma celebração especial no dia 21 de setembro, no Teatro Vivo, em São Paulo. O evento reunirá artistas, personalidades, executivos e profissionais que fizeram parte da trajetória da publicação ao longo dessas três décadas.
Entre os nomes já confirmados estão o apresentador Thiago Oliveira, a atriz Adriana Lessa, a cientista Dra. Jaqueline Goes e o CEO da Bayer Latam, Maurício Rodrigues, além de outras personalidades que ajudaram a construir a história da revista.
A celebração também representa um olhar para o futuro. Afinal, se a RAÇA nasceu em um momento em que a presença negra nas capas ainda era tratada como exceção, hoje a discussão sobre representatividade ocupa espaços muito mais amplos, das telas às empresas, da publicidade à moda, da cultura ao mercado de consumo.
“Completar 30 anos coloca a RAÇA em um clube muito seleto de revistas impressas brasileiras de longa duração, que praticamente não cabem nos dedos de uma mão”, afirma Pestana.
Três décadas depois daquela primeira capa, a RAÇA segue como símbolo de autoestima, representatividade e transformação. Sua história se confunde com mudanças profundas na sociedade brasileira e com a construção de novas possibilidades de representação para uma população que passou a se reconhecer também nas capas das revistas, nas telas, nos palcos e nos espaços de decisão.
Mais do que comemorar um aniversário, os 30 anos da RAÇA Brasil celebram uma conquista coletiva. Uma história que pertence à população negra, mas que também faz parte da trajetória de um Brasil que aprendeu, e continua aprendendo, a se enxergar com mais diversidade, pluralidade e verdade.








