O viral “Sina de Ofélia” se espalhou rapidamente pelas redes sociais ao apresentar uma narrativa visual intensa, melancólica e profundamente simbólica. Criado com apoio da Inteligência Artificial, o clipe resgata Ofélia, personagem trágica de Hamlet, de William Shakespeare, e a transporta para um universo que mistura dor, beleza, vulnerabilidade e renascimento. À frente desse projeto está Thaísa Lemos, artista visual que vem se destacando por transformar tecnologia em linguagem emocional.

Antes de alcançar números expressivos nas redes, Thaísa já construía uma trajetória sólida no campo da imagem. Sua formação passa pela maquiagem profissional, pela fotografia e por um olhar atento à narrativa por trás de cada rosto. Com o tempo, esse repertório visual foi se expandindo para o conceito artístico e, mais recentemente, para o uso da Inteligência Artificial como ferramenta criativa.

“Minha trajetória começa muito antes da IA. Sempre transitei entre estética, emoção e tecnologia. A IA nunca foi um atalho, mas uma extensão da minha imaginação”, afirma.
Thaísa faz questão de esclarecer um ponto importante sobre o projeto: a criação musical não é de sua autoria. O áudio utilizado, uma versão em português gerada por IA da música The Fate of Ophelia, associada a um timbre que remete ao universo vocal de Luísa Sonza, já circulava nas redes quando chegou até ela.
“Quando ouvi a faixa, fui impactada imediatamente. Meu trabalho foi criar todo o universo imagético para aquela música”, explica. “Não se trata da voz da Luísa Sonza, mas de um timbre artificial que dialoga com o pop emocional contemporâneo que ela representa.”
A escolha de Ofélia como figura central surge da identificação com a personagem e com o que ela simboliza hoje. Para Thaísa, Ofélia vai além da leitura clássica da tragédia.
“Ofélia representa o colapso silencioso. A mulher que não grita, mas afunda. Ela é a ‘sad girl’ original”, reflete. Segundo a artista, a personagem se conecta diretamente com emoções femininas atuais, como repressão, excesso de sensibilidade e romantização da dor. Não à toa, o pop contemporâneo tem encontrado eco nesse tipo de narrativa.
“O clipe viralizou porque as pessoas não veem mais Ofélia apenas como uma ‘louca’, mas como alguém que amou demais”, completa.
A estética melancólica que marca “Sina de Ofélia” não foi criada do zero para o projeto. Ela já faz parte da identidade visual de Thaísa, mas ganha aqui um símbolo claro e reconhecível. A artista buscou referências na pintura pré-rafaelita, especialmente na obra de John Everett Millais, e no cinema moderno para construir um visual que parece, ao mesmo tempo, clássico e contemporâneo.
“Queria que cada frame parecesse um quadro a óleo que ganhou vida. Não queria algo apenas triste, mas belo e cinematográfico”, explica.
Trabalhar com Inteligência Artificial sem perder sensibilidade foi um dos maiores desafios do processo. Para Thaísa, a tecnologia não pode se sobrepor à narrativa.
“O maior desafio foi não deixar a IA virar protagonista. Ela pode gerar imagens bonitas, mas sem alma”, afirma. O projeto exigiu curadoria rigorosa, testes constantes e direção minuciosa. “A IA é como um pincel. Ela gera a imagem, mas o sentimento da cena vem do olhar humano.”
O alcance do clipe superou todas as expectativas. Em apenas 24 horas, o vídeo ultrapassou a marca de 1 milhão de visualizações, especialmente no Instagram, onde esse tipo de desempenho é menos comum. O impacto ficou evidente na reação do público.
“Percebi que tinha ultrapassado um nicho quando vi pessoas dizendo que choraram com o clipe ou pedindo a continuação da história, como se fosse uma série”, revela.
Com o sucesso de “Sina de Ofélia”, Thaísa agora planeja expandir esse formato de narrativas visuais. A artista pretende seguir criando clipes narrativos que unam música, emoção, arte e tecnologia, sempre com consciência autoral.
“Existe um espaço enorme para histórias híbridas. O público está pronto para esse tipo de linguagem”, afirma. A continuação da história de Ofélia já está em desenvolvimento e promete aprofundar ainda mais esse universo que nasceu da união entre Shakespeare, pop e Inteligência Artificial.








