Entre o frevo e o indie rock, a SONIKA apresenta “Recife”, single que transforma vivências pessoais em paisagem sonora e presta homenagem à capital pernambucana. Lançada pelo selo DoSol, a faixa chega acompanhada de videoclipe e antecipa o próximo álbum da banda, Colateral, revelando um trabalho que dialoga com o passado sem perder o olhar voltado para o agora.
A canção nasce de uma relação afetiva construída durante a adolescência dos integrantes na cidade, em meio à efervescência cultural do manguebeat e às transformações provocadas pelo Movimento Mangue. “Recife” observa o cotidiano com delicadeza e intensidade, convertendo ruas, encontros, mudanças e sensações em um retrato íntimo de um tempo compartilhado com a cidade.
“Esse som nasceu da vontade de registrar um tempo vivido junto com a cidade. São lembranças de lugares, pessoas e sensações que marcaram nossa adolescência, enquanto Recife se transformava diante dos olhos de toda uma geração”, revela a banda.
Musicalmente, a faixa percorre caminhos múltiplos. Começa como um frevo-canção, desliza para o indie rock e retorna em forma de frevo de rua, mais rasgado e visceral, com a metaleira assumindo o protagonismo e conduzindo o ritmo. A música explora novos timbres e estabelece diálogos com referências como Arctic Monkeys e Tagore, sem abandonar o rock ardido que define a identidade da SONIKA. Os metais contam com a participação de músicos da Banda Sinfônica do Recife, reforçando o vínculo entre a banda e a tradição musical da cidade.
O lançamento marca também um momento de amadurecimento artístico e maior clareza estética para o grupo. Após mudanças recentes na formação, com a entrada de Edu Nogueira no baixo, a SONIKA ampliou suas referências e aprofundou processos criativos e colaborativos. “Hoje a banda tem um caminho mais claro, tanto na forma de se comunicar quanto na forma de se reconhecer”, afirma Rafael Giordani, vocalista e guitarrista.
Dirigido por Edu Nogueira, o videoclipe de “Recife” funciona como uma carta de amor visual à cidade. Em um carro de época, os integrantes atravessam pontos históricos e simbólicos, costurando passado e presente. Mangues, pontes, prédios e aves surgem como narradores silenciosos dessa travessia urbana, enquanto recursos como stop motion, slow motion e colagens visuais ampliam a fusão entre realidade, imaginação e identidade recifense.
“Recife” antecipa o clima de Colateral, um álbum quente, pulsante e divertido, que reflete sobre o tempo vivido sem perder o impulso de seguir em frente. Um frevo indie carregado de história, movimento e da energia de uma cidade que se reinventa a cada esquina.








