Turma do Mateus viralizam no Brasil e despontam como a nova aposta do humor na internet

Após editar conteúdos para nomes como Gkay, Simone Mendes, Patrícia Ramos e Rafael Cunha, criador paraibano transforma bastidores do audiovisual em protagonismo e sucesso nas redes.

Antes que seu rosto se tornasse familiar para milhões de usuários nas redes sociais, Mateus Fernandes já era um nome conhecido nos bastidores do entretenimento digital brasileiro. Produtor audiovisual, editor de vídeo e comunicador, ele construiu parte significativa de sua carreira colaborando com grandes criadores e artistas de alcance nacional, como Gkay, Simone Mendes, Patrícia Ramos e Rafael Cunha. Foi nesse ambiente, onde técnica, ritmo e narrativa são essenciais, que Mateus desenvolveu um olhar preciso para o tempo do humor, a força da edição e o impacto da linguagem audiovisual contemporânea.

Foto: Arquivo de Mateus Fernandes.

Aos 31 anos, no entanto, o reconhecimento técnico deixou de ser suficiente. Embora estivesse inserido em projetos de grande visibilidade, Mateus sentia que suas ideias autorais nem sempre encontravam espaço para florescer. Roteiros cuidadosamente pensados, personagens imaginados com profundidade e situações carregadas de potencial dramático acabavam, muitas vezes, reduzidos a execuções apressadas ou desprovidas de sensibilidade artística. A inquietação criativa tornou-se, então, motor de mudança.

Foto: Arquivo Mateus Fernandes.

Natural de João Pessoa, nascido em 6 de julho de 1994, Mateus construiu sua formação acadêmica na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde cursou Comunicação em Mídias Digitais. Foram nove anos imerso na dinâmica cultural e audiovisual da capital paraibana, período em que transitou por praticamente todas as funções do setor. Filmou festas infantis e casamentos, editou clipes musicais, participou da construção de documentários e consolidou-se como editor de conteúdo digital para a internet. Essa trajetória múltipla lhe conferiu não apenas domínio técnico, mas também uma compreensão ampla dos processos criativos e das demandas narrativas do audiovisual.

Foto: divulgação.

A virada decisiva aconteceu quando Mateus resolveu deslocar-se do bastidor para o centro da cena. O Instagram, inicialmente um espaço de experimentação, transformou-se em palco para a criação de personagens e narrativas próprias. Foi ali que começou a tomar forma a Turma do Mateus, coletivo que reúne amigos, familiares e figuras próximas ao criador, muitos deles conhecidos desde a infância. Nomes como Iremá, André, Valkyrie e a própria mãe de Mateus passaram a integrar os vídeos, trazendo para a cena uma espontaneidade rara e uma química construída fora das câmeras.

Mais do que um grupo de atores, a Turma do Mateus representa um recorte afetivo e social do cotidiano nordestino, explorado com humor, exagero e observação sensível. As situações encenadas dialogam com vivências comuns, relações familiares, conflitos domésticos e dinâmicas sociais facilmente reconhecíveis pelo público. Essa identificação imediata tornou-se um dos pilares do sucesso do projeto.

Embora os primeiros vídeos tenham apostado em formatos mais espontâneos, como gincanas e brincadeiras, Mateus rapidamente percebeu que seu interesse estava na dramaturgia. O humor que buscava produzir exigia texto, estrutura e direção. O ponto de inflexão veio com o vídeo do interrogatório, completamente roteirizado, que consolidou a linguagem estética e narrativa do projeto. A partir dali, o caminho estava definido: humor com roteiro, personagens recorrentes e situações cuidadosamente construídas.

O impacto foi imediato. Vídeos passaram a ultrapassar com frequência a marca de 10 milhões de visualizações, tanto no TikTok quanto no Instagram, posicionando Mateus Fernandes e a Turma do Mateus entre os nomes mais comentados do humor digital brasileiro. O alcance orgânico e a forte conexão com o público chamaram a atenção do mercado publicitário, resultando em campanhas para marcas de grande porte, como Chevrolet, Perdigão, Fanta, Doritos, PagBank e Infiniti Pay, entre outras.

Mais do que um fenômeno de números, Mateus Fernandes constrói uma obra autoral em um ambiente marcado pela efemeridade e pela repetição de fórmulas. Seu trabalho se destaca por unir técnica, sensibilidade e identidade, provando que o humor digital pode ir além do improviso e da viralização momentânea. Com a Turma do Mateus, ele reafirma o valor da criação coletiva, da dramaturgia aplicada às redes sociais e da coragem de transformar inquietação artística em linguagem própria.

Em um cenário saturado por conteúdos descartáveis, Mateus Fernandes surge como um criador que entende o tempo, o texto e o público. E, sobretudo, como alguém que decidiu ocupar o espaço que sempre lhe pertenceu: o de autor de sua própria narrativa.

Redes sociais:

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