O cenário da música brasileira contemporânea ganha contornos ainda mais sensíveis e luminosos com o lançamento do novo trabalho dos Gilsons. Intitulado “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão”, o álbum chega como um manifesto afetivo e espiritual, revelando um momento de amadurecimento profundo para José, João e Francisco Gil.
Mais do que um segundo disco de estúdio, o projeto se apresenta como um verdadeiro mantra de cura. Em cada faixa, o trio transforma vivências pessoais, heranças familiares e inquietações do presente em uma narrativa sonora que equilibra delicadeza e densidade. Há luz, mas também há consciência das sombras. O que se percebe é uma escolha estética e emocional por atravessar a escuridão com sensibilidade e esperança.
A sonoridade do álbum reafirma o compromisso do grupo com a tradição da MPB, mas sem se acomodar nela. Violões solares dialogam com texturas eletrônicas sutis, arranjos orgânicos se entrelaçam com experimentações contemporâneas. O resultado é um trabalho que honra o passado, mas respira o agora, ampliando o legado musical que os Gilsons carregam no sangue e reinventam com identidade própria.
Um dos pontos altos do disco é a abertura para colaborações inéditas em estúdio. Pela primeira vez, o trio convida artistas para compartilhar esse espaço criativo, ampliando o campo simbólico do álbum. Entre os nomes presentes estão Arnaldo Antunes e Julia Mestre, que adicionam camadas poéticas e estéticas à obra.
Na faixa “Minha Flor”, o encontro ganha dimensão histórica. Dividem os microfones com os Gilsons ninguém menos que Caetano Veloso, Moreno Veloso e Tom Veloso. O diálogo entre gerações transcende o gesto artístico e se torna símbolo de continuidade, reafirmando que a música brasileira é feita de laços, memória e reinvenção constante.
Com o lançamento do álbum, o trio também anuncia uma turnê mundial, expandindo essa mensagem para além das fronteiras nacionais. A nova fase marca não apenas uma evolução estética, mas um posicionamento emocional: escolher a luz como caminho, mesmo em tempos desafiadores.
Assim, os Gilsons entregam ao público um trabalho que pulsa verdade, espiritualidade e afeto. Um disco que não apenas se escuta, mas se sente. Uma obra que confirma que, quando a arte nasce do encontro entre história e sensibilidade, ela se transforma em farol.








