O Natal na Usina, consolidado como uma das principais vitrines da produção artística da Paraíba, também se destaca pelos impactos econômicos gerados no estado. Pesquisa realizada pela Atua Comunicação Criativa, em parceria com o Observatório de Políticas Públicas Culturais da Universidade Federal da Paraíba (ObservaCult/UFPB), revelou que, para cada R$ 1 captado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), o festival devolveu R$ 16,68 em valor para a sociedade.
O levantamento, realizado durante a 12ª edição do evento, em dezembro de 2025, ouviu 402 participantes e possui 95% de nível de confiança, oferecendo um retrato consistente sobre os impactos sociais, econômicos e culturais do festival. O relatório executivo foi disponibilizado de forma pública pela organização.
Os dados evidenciam que o Natal na Usina ultrapassa a dimensão artística e se consolida como um importante vetor de desenvolvimento econômico. Segundo a pesquisa, 73,9% do público realizou algum tipo de consumo durante o evento, movimentando uma estimativa de R$ 1.455.235,82 na cadeia produtiva local e no comércio localizado no entorno da Usina Cultural Energisa.
O impacto financeiro alcança diversos segmentos da economia, beneficiando setores como alimentação, transporte, comércio, hospedagem e serviços ligados à economia criativa. O estudo reforça que festivais culturais funcionam como importantes indutores de circulação de renda, estimulando pequenos negócios e fortalecendo empreendedores locais.
Outro dado de destaque é a taxa de autofinanciamento tributário de 42,5%, indicador que demonstra que quase metade dos recursos incentivados retorna aos cofres públicos por meio da arrecadação de tributos estaduais e municipais gerados pela movimentação econômica do próprio festival. O resultado reforça o papel estratégico das políticas públicas de incentivo à cultura, que produzem retorno financeiro e social além do investimento inicial.
Geração de empregos e fortalecimento dos negócios locais
A pesquisa também evidencia os impactos do Natal na Usina sobre o mercado de trabalho. Ao todo, o festival foi responsável pela geração de 600 postos de trabalho, com 95% dos fornecedores contratados sendo da Paraíba.
Entre os prestadores de serviço, 60% eram Microempreendedores Individuais (MEIs), dado que demonstra a contribuição do evento para a formalização, distribuição de renda e fortalecimento da economia local. A predominância de fornecedores paraibanos amplia os benefícios do investimento cultural, mantendo os recursos circulando dentro do próprio estado.
Para Dina Faria, diretora da Atua Comunicação Criativa, responsável pela curadoria e produção do Natal na Usina, os números confirmam a relevância do festival como um ativo estratégico para a economia criativa paraibana.
“Ao longo de 12 edições, o Natal na Usina construiu um caminho além dos palcos e do acesso à cultura. Existia uma percepção dos impactos econômicos, e a pesquisa identificou o papel do festival na promoção do desenvolvimento econômico, valorização dos artistas locais, inclusão social e fortalecimento da identidade cultural paraibana. Evidenciamos que investir em cultura significa gerar renda, empregos, arrecadação e desenvolvimento sustentável”, afirma.
Mais do que um espaço de difusão artística, o Natal na Usina consolida-se como um modelo de política cultural capaz de promover desenvolvimento sustentável, fortalecer a economia criativa e demonstrar, com dados concretos, que investimentos em cultura geram retorno econômico, social e institucional para toda a sociedade.







