Pesquisa revela avanços em acessibilidade e inclusão na 12ª edição do Natal na Usina

Estudo aponta fortalecimento das práticas de ESG, ampliação de recursos de acessibilidade e impacto social do festival, que também impulsiona a economia criativa e valoriza artistas paraibanos.

A 12ª edição do Natal na Usina consolidou-se como uma referência em acessibilidade, inclusão e desenvolvimento cultural na Paraíba. É o que revela uma pesquisa de impacto realizada pela Atua Comunicação Criativa, em parceria com o Observatório de Políticas Públicas Culturais (ObservaCult/UFPB), que analisou os resultados do festival realizado em dezembro de 2025, na Usina Cultural Energisa. O levantamento evidencia que os investimentos em inclusão e diversidade vêm fortalecendo um modelo de gestão alinhado às práticas de ESG (Ambiental, Social e Governança) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Com base em 402 entrevistas realizadas durante o evento e nível de confiança de 95%, o estudo apresenta um panorama sobre o impacto social, econômico e cultural do festival. O relatório executivo está disponível gratuitamente para consulta pública no site da Atua Comunicação.

Entre os principais avanços registrados está a ampliação das ações de acessibilidade. Pela primeira vez, o Natal na Usina implantou uma Sala de Regulação Sensorial, espaço pensado para acolher pessoas neurodiversas em momentos de sobrecarga sensorial. O evento também garantiu acessibilidade comunicacional em toda a programação, oferecendo intérpretes de Libras em todos os palcos, audiodescrição, audioguia e materiais em braile, ampliando o acesso à programação cultural para diferentes públicos.

A pesquisa também destaca o compromisso do festival com a representatividade. Em 2025, 9,5% da equipe técnica e artística foi composta por Pessoas com Deficiência (PCDs). Outro destaque foi a participação das mães atípicas da Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (FUNAD) na Feirinha do festival, iniciativa que contribuiu para a geração de renda dessas famílias. Entre os visitantes, 4,5% se identificaram como pessoas com deficiência ou neurodivergentes.

Além do impacto social, o levantamento confirma a importância do Natal na Usina como uma plataforma de valorização da produção artística paraibana. Entre os artistas que já participaram de edições anteriores, 91,7% afirmaram que a experiência no festival ampliou sua visibilidade profissional, resultando em novos contratos, convites para apresentações e oportunidades de negócios.

O estudo também traçou um perfil detalhado do público. Aproximadamente 80% dos participantes residem em João Pessoa, sendo a maior concentração nas faixas etárias de 25 a 35 anos (37,8%) e de 36 a 49 anos (27,1%). A pesquisa aponta ainda que a audiência é formada por 49,8% de mulheres cis, 39,1% de homens cis e 2,2% de pessoas não-binárias.

No recorte étnico-racial, 39,3% dos entrevistados se declararam brancos, 36,3% pardos e 17,9% pretos. Outro dado que chama atenção é que 34,2% do público pertence à comunidade LGBTQIAPN+, reforçando o perfil plural, diverso e democrático do festival.

Considerado um dos mais importantes eventos culturais da Paraíba, o Natal na Usina reafirma, segundo a pesquisa, o potencial da cultura como ferramenta de transformação social e desenvolvimento econômico. O levantamento mostra que, para cada R$ 1,00 captado por meio da Lei Rouanet, o festival devolveu R$ 16,68 em valor para a sociedade, evidenciando sua capacidade de movimentar a economia criativa, gerar empregos, fortalecer a cadeia produtiva da cultura e ampliar o acesso da população à produção artística paraibana.