É do sertão da Paraíba que ELON ergue sua voz para falar de sentimentos que, embora profundamente particulares, encontram ressonância em qualquer lugar. Natural de Pombal, o artista constrói sua trajetória a partir de uma relação afirmativa com a própria origem, compreendendo o sertão não como uma moldura limitadora, mas como território de memória, formação e invenção. Em seu primeiro álbum solo, “TRANSVERBERAR”, essa perspectiva ganha densidade e se transforma em linguagem artística. O disco nasce do encontro entre diferentes referências e sensibilidades, fazendo com que seresta, pop e rock’n’roll compartilhem o mesmo espaço sem que uma estética precise se sobrepor à outra.

A obra se estrutura a partir de temas que atravessam a experiência humana em suas dimensões mais íntimas. Amor, desejo, identidade e cotidiano aparecem como fios condutores de um repertório que não pretende separar o extraordinário do banal. Pelo contrário, é justamente na observação das pequenas experiências, dos afetos, das relações e das inquietações que ELON encontra matéria para sua criação. Sua experiência queer atravessa o álbum com naturalidade, sem precisar ser transformada em manifesto permanente ou elemento de diferenciação. Ela está presente na perspectiva de quem canta, deseja, ama, questiona e ocupa o mundo, tornando-se parte indissociável de uma obra que reivindica o direito de existir artisticamente a partir de sua própria verdade.

“TRANSVERBERAR” também representa um momento de amadurecimento dentro de uma trajetória construída coletivamente. Desde 2019, ELON integra o QUADRILHA, quarteto que se tornou parte importante de seu percurso musical. Em 2022, ampliou suas possibilidades criativas ao formar o duo TATEIA ao lado do sanfoneiro Helinho Medeiros, estabelecendo uma interlocução ainda mais direta com sonoridades e referências profundamente ligadas à cultura nordestina. São experiências que ajudam a compreender a amplitude de seu trabalho e a maneira como o artista se movimenta entre tradição e contemporaneidade sem tratar esses universos como opostos.
Antes da chegada ao primeiro álbum solo, ELON percorreu diferentes formatos e momentos de criação. Em 2023, lançou o EP “Ao Vivo no Clan”, registrando uma etapa importante de sua trajetória. No ano seguinte, apresentou “Sextei”, aprofundando sua pesquisa artística, e, em 2025, lançou o single “Preto”. Cada trabalho acrescentou novas camadas ao percurso do artista e preparou o terreno para a construção de “TRANSVERBERAR”, projeto que assume uma dimensão mais ampla tanto do ponto de vista musical quanto conceitual.

O próprio título do álbum carrega uma força simbólica. “Transverberar” remete à ideia de atravessar, penetrar, provocar uma marca profunda. É uma palavra que sugere movimento e transformação, mas também uma experiência interior que reverbera para além de quem a vivencia. Nesse sentido, o título funciona como uma espécie de chave de leitura para o disco. ELON parte de experiências pessoais, mas não permanece confinado a elas. O íntimo se torna coletivo, a memória se converte em narrativa e a identidade individual encontra caminhos para dialogar com diferentes públicos.
Musicalmente, o álbum assume uma condição híbrida. É sertanejo em sua origem e em sua relação com determinadas tradições afetivas, mas também cosmopolita na maneira como incorpora referências contemporâneas. É romântico sem abrir mão da inquietação e popular sem abandonar a elaboração estética. Essa coexistência de aparentes contrastes constitui justamente uma das forças de “TRANSVERBERAR”. Em vez de escolher entre o regional e o universal, ELON compreende que ambos podem existir simultaneamente, revelando que a identidade nordestina também é múltipla, dinâmica e permanentemente atravessada por novas linguagens.
FICHA TÉCNICA
MÚSICA
produção musical/beat/baixo/mix: Hugo Limeira
guitarra: Samuel Dreher
percussão: Cassicobra
sanfona/teclados: Helinho Medeiros
baixo (em “Extraviado” e “Chorar e curtir”): Ítalo Viana
viola e violão (em “Transverberar” e “Bolero do Colchão”): Pedro Medeiros
bandolin (em “Querer Querer”): Rafael Marques
violão e percussão (em “Querer Querer”): Rodrigo Garcia
master: Fernando Sanches (Estúdio El Rocha – São Paulo-SP)
PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS
Isadora Melo
Seu Pereira
Rodrigo Mancusi
Gravado no Estúdio Angelim
*Voz de Isadora e Bandolin no Estúdio Muzak (Recife-PE)
VISUAL
direção e maquiagem: Anabi Pinheiro
roteiro e direção de fotografia: Luiza Oliveira
direção artística: Diogenes Mendonca
fotos: Bruna Dias
cabelo: Jailson Júnior
estúdio: Clareia Casa Criativa
design gráfico: Rayan Rodrigues
VIXI / GOSUGAR
Distribuição: Strm Music








